Pé Diabético, causas e tratamentos

O que é?

O pé diabético é uma complicação do diabetes que afeta os pés e pode trazer consequências sérias se não for cuidada corretamente.
Ele ocorre porque o excesso de açúcar no sangue, ao longo do tempo, danifica nervos e vasos sanguíneos.

Por que o diabetes prejudica a circulação?

O excesso de glicose no sangue, quando mantido por muito tempo sem controle adequado, danifica a parede dos vasos sanguíneos. Esse processo causa:

  1. Aterosclerose acelerada
  • O açúcar alto favorece o acúmulo de gordura e cálcio dentro das artérias, formando placas. Essas placas vão estreitando o canal da artéria, dificultando a passagem do sangue.
  • Esse fenômeno é chamado de doença arterial periférica (DAP).
  1. Enrijecimento dos vasos
  • As artérias ficam mais duras e menos elásticas, perdendo a capacidade de se adaptar ao fluxo. Isso reduz ainda mais a chegada de oxigênio e nutrientes aos tecidos.
  1. Redução da cicatrização
  • Com menos sangue chegando aos pés, as feridas demoram a cicatrizar. Qualquer corte, bolha ou machucado pode evoluir para uma úlcera.

neuropatia diabética

A neuropatia diabética é uma complicação do diabetes que ocorre quando os nervos são danificados pelo excesso de açúcar no sangue ao longo do tempo.
Ela pode afetar tanto a sensibilidade (toque, dor, calor, frio) quanto os movimentos e funções automáticas do corpo.

Nos pés, essa perda de sensibilidade faz com que o paciente não perceba ferimentos, cortes ou queimaduras, aumentando o risco de infecções e do chamado pé diabético.

Principais mecanismos:

  1. Toxicidade da glicose
  • A glicose em excesso dentro das células nervosas gera substâncias tóxicas (radicais livres). Isso provoca inflamação e lesão direta do nervo, prejudicando sua função.
  1. Comprometimento da circulação dos nervos
  • Os nervos recebem oxigênio e nutrientes através de vasos sanguíneos muito finos. O diabetes causa espessamento e obstrução desses vasos, reduzindo a nutrição do nervo. Sem irrigação adequada, o nervo sofre e perde sua capacidade de transmitir sinais.
  1. Desmielinização
  • A camada protetora que recobre os nervos (mielina) se deteriora. Isso faz com que os sinais elétricos (sensações de dor, calor, frio, toque) não cheguem corretamente ao cérebro.

Consequência

  • O paciente pode perder a sensibilidade nos pés e não perceber dor, calor, frio ou pequenos machucados. Com isso, cortes, bolhas ou queimaduras passam despercebidos, aumentando o risco de complicações. Além disso, o diabetes enfraquece as defesas do organismo, facilitando a entrada de bactérias. Assim, até lesões simples podem evoluir para feridas graves, como úlceras, abscessos ou até gangrena.

 

Sintomas e sinais de alerta

  • Formigamento, queimação ou dormência nos pés.
  • Ressecamento da pele e rachaduras.
  • Unhas encravadas, calos ou deformidades.
  • Feridas que demoram a cicatrizar.
  • Mau cheiro, secreção ou sinais de infecção.
  • Mudança de cor ou temperatura do pé.

⚠️ A presença de feridas, mesmo pequenas, deve ser levada a sério e avaliada rapidamente pelo médico.

Fatores de risco

  • Diabetes mal controlado.
  • Uso de calçados inadequados.
  • Falta de inspeção e cuidados com os pés.
  • Tabagismo (que piora a circulação).
  • Histórico de úlceras ou amputações prévias.

Prevenção

O cuidado diário é a melhor forma de evitar complicações:

  • Examinar os pés todos os dias, incluindo a sola e entre os dedos.
  • Lavar e secar bem os pés, especialmente entre os dedos.
  • Hidratar a pele, evitando passar creme entre os dedos.
  • Cortar as unhas retas e com cuidado, de preferência com orientação profissional.
  • Usar sapatos confortáveis e adequados, nunca andar descalço.
  • Controlar rigorosamente o diabetes, mantendo glicemia dentro das metas.
  • Consultas regulares com cirurgião vascular e endocrinologista.

Tratamento

O tratamento depende do estágio do pé diabético:

  1. Feridas iniciais (úlceras pequenas)
    • Limpeza adequada.
    • Curativos especializados.
    • Controle rigoroso da glicemia.
  2. Infecções
    • Uso de antibióticos.
    • Drenagem de abscessos, quando necessário.
  3. Problemas de circulação
    • Avaliação vascular com exames (como Doppler, angiotomografia).
    • Cirurgias de revascularização (bypass ou angioplastia com stent) quando indicadas.
  4. Casos graves

Quando há necrose extensa ou infecção incontrolável, pode ser necessária amputação parcial para salvar a vida do paciente.

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